Quarta-feira, Abril 11, 2012
Sangue novo na música sertaneja
Quarta-feira, Março 21, 2012
Raul Seixas ,Uma lenda

É dificil encontra alguém que tenha conhecido Raul Seixas e saído desse relacionamento sem alguma história interessante pra contar. Alguns ficam emocionados ao lembrá-las. Outros não param de rir. O Raul que se revela na recordação de seus amigos mais íntimos é uma pessoa de personalidade forte e vibrante, com muito apetite para viver os 44 anos que lhe couberam.
"De repente , chegou um rapaz dizendo que era compositor , tocava violão e gostaria muito de poder mostrar seu trabalho. Mas ele não tinha o braço direito. Ficamos meio sem jeito , olhando para o cara , até que o Raul lhe perguntou : 'Ah, é? E o que o senhor quer que eu faça?' O rapaz , com muita humildade, respondeu: 'Seu Raul, o senhor faz o ritmo e eu as posições'. Não dá para explicar o carinho com que Raul ajudou o rapaz. Ele ficou abraçado, quase pendurado por trás do cara, fazendo o ritmo com a mão direita, enquanto o cara mudava os acordes com a mão esquerda. Foi uma cena linda. "Essa história foi contada por Mauro Motta, um dos melhores amigos de Raul Seixas. Vizinhos de quitinete, produtores da CBS, Mauro o Raul dividiam muitos pratos feitos durante os primeiros tempos da vida profissional. Período em que Mauro pôde reconhecer bem o caráter de Raul , que incluía o apego às pessoas simples. Outra demonstração disso aconteceu em Guabimirim , no Rio de Janeiro. Os dois ficaram bebendo até pouco mais das 2 da madrugada e depois foram durmir. Mas , por volta das 5 horas da manhã, Mauro acordou e reparou que o amigo havia sumido. "Olhei para toda a casa , por todo o quintal e nada. Então, decidi sair com o carro para procurá-lo. Comecei a ouvir um som de longe, desci e vi um cara magro de calsa jeans, sem camisa , descalço , com um chapéu de São João cheio de fitas coloridas e um violão, catando Elvis Presley no meio de um monte de pinguços. Os caras nem sequer imaginavam que aquele era o Raul Seixas. E ele estava na maior alegria, feliz da vida. Na hora em que me viu falou: 'Tratanius -era a forma como chamávamo-nos - , vem cá tomar uma cachacinha comiho' . E cantou pra galera até o dia amanhecer."
Raul tinha também uma incrível capacidade de surpreender. O cantor Jerry Adriani - responsável pela ida de Raulzito e Os Panteras para o Rio, em 1968 - não esquece uma história."Uma vez estávamos passeando em São Conrado e de repente Raulzito sentou-se na calçada e começou a bater papo com um mendigo , que não falava coisa com coisa. O papo nunca terminava. Eu dizia que tínhamos de ir embora , mas ele não queria sair dali e continuou a conversar como se fosse a coisa mais séria do mundo. Eu me aproximei para tentar ouvir sobre oque eles conversavam , mas não dava para entender nada. Ficaram uns quarenta minutos nesse papo doido. "
Noutra época, Raul inventou um personagem chamado Queixada , que ao ficar nervoso trazia o queixo para a frente e falava baixinho. Jerry Adriani conta que aquele jeito de falar virou mania entre os dois. "Ná época em que foi perseguido pelos militares, Raul passou aproximadamente uma semana em minha casa. Mas , num belo dia , sumiu. Saí procurando-o por tudo quanto é lado. Fiquei muito preocupado, pensando que ele poderia ter sido preso.Quando já não sabia mais onde procurá-lo, olhei sem querer para um táxi, em Copacabana, e ali estava o Raul se escondendo de mim ao mesmo tempo em que fazia o Queixada. Perguntei: 'Mas o que é isso , Raul?' E ele respondeu: 'É que lá na sua casa tava muito tranquilo pra mim'."
A história do casamento de Jerry também merece ser contada. A cerimônia, para a qual o noivo convidou apenas as pessoas mais chegadas, tinha uma lista de convidados na qual , por descuido, o nome de Raul acabou não entrando. Quando ele chegou, o porteiro quis empedir sua entrada. Raul não titubeou, disse que era o padre que celebraria a união do casal. Como estava todo vestido de preto , o porteiro acreditou. Jerry conta o final da história: "De repente , começou um tumulto, uma confusão. Fui ver o que acontecia e era o padre de verdade reclamando. Ele dizia ser um absurdo contratar dois sacerdotes para uma mesma celebração. Desfeito o equívoco, apresentei Raul ao padre , que o chamou para ser o coroinha da cerimônia, e deu um sino na mão dele. O casamento rolando e o Raul tocando aquele sino sem parar. O padre não aguentava mais o começou a dizer que aquele menino tinha de ser exorcizado. Para 'salvá-lo', começou a jogar água benta nele , que não perdeu a pose e continuou a fazer graça no altar".
Dois anos e meio atrás, no dia 29 de janeiro de 1997, Jerry Adriani recebeu uma mensagem de Raul Seixas. Dizia o seguinte: "Bicho, foi difícil, mas consegui. Cuide dos que como eu se perdem nas drogas. Meu irmãozinho, a saudade é grande, mas estou bem. Compreendo a vida. Estou vivo. Sempre achei que era assim, mas é muito melhor. Temos que ter responsabilidade com o nosso corpo. Um abraço do seu irmãozinho Raulzito". Era uma mensagem psicografada. Jerry explica: "Frequento um centro espírita no Rio de Janeiro e ali é comum receber mensagens desse tipo. Mas o curioso é que a pessoa que psicografou esse texto é uma senhora de idade, que nem sabe como era a linguagem de Raul Seixas - e ele realmente falava muito 'bicho' e me chamava de irmãozinho".
Leno Azevedo, que gravou com Raul no começo dos anos 70 , lembra de uma vez em que estavam na casa da tia de Raul, dona Maria Angélica: "O filho dela , o Horácio, que é surfista e vive no Havaí , convidou discretamente eu e Raul para ir até seu quarto, colocou Jimi Hendrix para tocar e falou: 'Olha só... Isso aqui é um baseado... Acendeu e passou para a gente'. Depois de fumar, ríamos sem parar. Fumamos outras vezes no estúdio, durante a produção e gravação do álbum Vida e Obra de Johnny McCartney, que acabou sendo censurado. Mas não éramos , o negócio do Raul era só a música, essa imagem de 'doidão' não correspondia à verdade".Desta faze, Leno não esqueceu os momentos de criação. "Ele vinha aqui em casa e fazíamos músicas bem diferentes dos hits românticos que eu cantava e do ie-ie-ie que ele escrevia e tocava. Queríamos crescer como artistas e mostrar novas possibilidades. Lembro do Raul dizendo que Sentado no Arco-Íris, do álbum de Vida e Obra de Johnny McCartney , era a primeira letra que se orgulhava de ter escrito."
Rita Lee, que interpretou Raul Seixas no curta-metragem Tanta Estrela por Aí, certa vez recebeu dele uma "cantada" em inglês perfeito. "Eu estava andando pelas ruas do Soho, em Nova York, e vi o Raul vindo em minha direção. Ele tinha mania de se passar por americano quando estava no exterior. E não me reconheceu porque eu havia trocado recentemente o loiro de meus cabelos mutantes por um vermelhão. Além disso, estava com óculos escuros e roupa de hippie, daquelas bem rasgadonas.Então , ele passou por mim e começou. 'Hi love , my name is Roger'. Não acreditei, responde: 'Raul, você é bem cara-de-pau mesmo, hein? Vou contar tudo pra sua mulher!' Ele tomou um sustão , mas depois me reconheceu e caímos na gargalhada."Também uma história de caráter espírita liga Rita a Raul. "Quando faziámos o curta-metragem, ele realmente 'baixou' em mim e eu disparei e falar e desticular igualzinho a ele. Nem eu mesma me dei conta disso. Todos ficaram espantados com a semelhança. O Sylvio Passos, presidente do fã-clube, ficou tão impressionado que me deixou até usar as roupas do Raul que ele tinha. E , para espanto geral, tudo cabia em mim perfeitamente, até a calça de couro e as botas vermelhas. No fim das filmagens, cadê de Raul me deixar me deixar em paz? Eu falava assim: 'Raul , meu amor , agora chega, vamos descansar, vai!' E nada , o cara tava lá instaladão no meu 'cavalo' , e eu sentia o tempo todo , mandei até celebrar uma missa para sossegá-lo. Só depois que fui ao túmulo dele , em Salvador , é que as coisas de resolveram."
Para o músico mineiro Zé Geraldo, uma das passagens mais emocionantes de sua vida ocorreu durante uma visita que fez a Raul , quando este ainda motava no bairro do Butantã, em São Paulo: "Cheguei à casa do Raul e ele estava superenvolvido com o desenho Jeannia É um Gênio. Não deu a mínima nem para mim nem para o Eduardo, que era de um fã-clube e estava comigo. Ficou deitado no chão com uma toalha enrolado no pescoço , um copo de cerveja e um cálice de steinhaeger ai lado, dando risada com o desenho. Ficamos ali um tempão, meio sem saber o que fazer. Quando já pensávamos em ir embora, ele levantou ,cumprimentou a gente , mas não me reconheceu. Fomo a uma outra sala e ele mostrou a música Não Quero Mais Andar na Contramão, que na época havia sido censurada por falar abertamente do consumo de drogas . Lena Coutinho, que estava junto, falou de mim para ele, para ver se ele me reconhecia. Raul ficou pensativo e olhando-me disfarçadamente por debaixo dos óculos. Quando sacou quem eu era , foi incrível. Pegou minhas mãos, chorou muito e reperiu várias vezes que eu estava lindo. Anos antes, eu havia perdido minha mãe e tinha tido problemas seriíssimos com a bebida. Fiquei muito mau. Mas , quando estive na casa de Raul, estava completamente sem beber. Esta foi uma passagem inesquecível da minha vida".No final dos anos 70, início dos 80 , Zé Geraldo e Raul gravaram na CBS e os dois geralmente saíam juntos para divulgar seus discos. Numa dessas vezes, foram a uma rádio no ABC. "De quadra em quadra , Raul tirava uma garrafinha do bolso e bebia. Naquele dia, ele estava revoltado com alguma coisa e , quando chegamos à rádio, fez o maior discurso político . Depois disso , o divulgador suspendeu a agenda e o levou ao hotel. Mas , quando cheguei à CBS, a secretária disse que Raul estava na Jovem Pan metendo o pau no sistema , fazendo o mesmo discurso de antes."
Rick Ferreira, chamado por Raul de "Rickinho, meu fiel escudeiro" , foi o guitarrista que mais tempo tocou com o Maluco Beleza. Conta que , durante a produção do disco Cowboy Fora da Lei, em 86, precisou ir várias vezes à Clínica Tobias, onde Raul permanecia internado por causa do alcoolismo. "Chegou a um ponto em que não podia mais sair de lá para ir ao estúdio, porque sempre convencia o motorista a parar nos bares do caminho e já chegava bêbado na gravadora", explica o "escudeiro" . Rock Ferreira revela que nessa época evitava fazer shows com Raul: "Tinha 21 anos , meu negócio era tocar. Ficava com muito medo da polícia. Sempre tinha uns caras de terno que ficavam bem na frente do palco durante os shows. Raul era um cara inocente, mas passava agressividade na época da Sociedade Alternativa".
Outro amigão de Raul foi o humorista Ronnie Cócegas. Moravam na mesma rua, frequentavam a mesma escola de música, os mesmos bares e restaurantes, jogaram capoeira e fizeram vários shows junto. "Tocávamos em Feira de Santava e em Itabuna. Não tinhámos nem nome e não faziámos sucesso nenhum" , contou o humorista.A Mãe de Raul , dona Maria Eugênia, pedia que Ronnie diexasse seu filho em paz, pois não queria que ele virasse artista. Ronnie guardou a lembrança: "Ela queria que Raul fosse para os Estados Unidos, estudar e se tornar doutor. Mas eu dizia que não era eu quem o levava, era o Raul que adorava música e era ele quem me chamava para tocar. De fato , eu era baterista de uma banda que tocava numa boate de hotel em Salvador e o Raul sempre assistia às apresentações escondido em um cantinho, pois era menor de idade e não podia frequentar o lugar". ( Este depoimento foi dado pouco antes da morte do humorista. )
O músico Nenê( dos Incríveis , que tocou com Raulde 85 a 86 ) lembra de uma vez em que foram para a selva amazônica, no meio do garimpo, fazer um show. "Bebemos durante a viajem inteira. Foi preciso até pegar um jato e depois um Bandeirantes daqueles que agente senta no chão. O lugar onde nos apresentamos era um puteiro horroroso. Não sei de onde surgiu essa idéia de irmos para lá, mas , como tínhamos bebido todas , estávamos levando tudo na brincadeira. Até o momento em que vimos que todos ali andavam com um 38 na cintura. A bebedeira passou rapidinho. Até o Raul ficou careta. E fizemos o show bem direitinho."
Para Nenê, nenhum artista tem atualmente o carisma que Raul tinha: "Já toquei com figuras como Roberto Carlos e Elis Regina, mas nunca vi nada tão forte como o que acontecia com Raul Seixas. Uma vez ele deu a maior canceira na gente em um show em São Caetano. O clima era muito tenso. O público já havia quebrado o alambrado. Não , da banda , estávamos na maior neura. Coloquei meus filhos , que era crianças, em clima da caixa de som. De repente , chega um Fusca branco no meio do estádio lotado. Todo mundo parou. Quando Raul saiu daquele Fusca, vestindo um terninho branco , parecia que tinha chegado um deus".
Marcelo Nova , que acompanhou o início da carreira de Raul na Bahia como fã e depois tornou-se parceiro e amigo , relembra que ia aos shows do Raulzito e Os Panteras para ouvir Rock`n`Roll e "pegar umas menininhas" , mas que no final acabava chupando o dedo porque só Raul e seus panteras é que se descolavam. "Elas só queriam dar para eles. Raulzito fazia o maior sucesso".Em 72, Macelo tomava água de coco numa praia de Salvador, quando chegou um magricela cantando: "Eu devia estar contente. Porque eu tenho um emprego. Sou um dito cidadão respeitado..."."Não reconheci o cara mas achei aquilo um grande barato. Na hora até pensei que fosse o Odair José. Só depois , quando ouvi a música inteira no carro , consegui pegar a letra e sacar que aquele cara era o Raul".
Apesar de toda essa afinalidade musical, Marcelo Nova e Raul Seixas só foram se tornar amigos em meados dos anos 80: "Num belo domingo , umas 11 horas da manha, ouço a campainha, abro a portae lá estão Raul , Lena Coutinho, Toni Ozannah e sua mulher. Havíamos trocado endereço naqueles dias num show dele, em São Paulo, mas nao imaginava que pudesse pintar em casa. Posso dizer que foi ali que se iniciou nossa amizade. Passamos o dia inteiro juntos e uma semana depois retribuí a visita. Era aquela troca de figurinhas, em que cada um falava sobre os discos e músicos que gostava . Nos reuníamos para ouvir rock`n`roll. Era maravilhoso. Pouco depois fizemos juntos a música Muito Estrela , Pouca Constelação , referente àquelas várias bandas de rock que surgiram nos anos 80. Depois de dois anos começamos a fazer várias músicas que resultaram no disco A Panela do Diabo".
Marcelo também não pode deixar de comentar o fraco de Raul por um drinque, e conta a resposta que recebem dele certa vez, por tê-lo censurado por beber de manhã: "Porra Raul, você já vai beber?" 'Ô , Marceleza, é só um suquinho...' Na verdade era um copão de vodca com umas gotas de suco de laranja . Aí, para me sacanear , porque não bebia e não bebo nada, ele dizia: 'Deixa eu tomar meu suco que depois vou ao Mac Donald's com você , tá?' Nos shows , ele também reclamava: 'Porra , Marceleza , só tomam água aqui nessa merda".
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Quinta-feira, Março 15, 2012
Entrevista Concedida por D. Maria Eugênia, mae do Raul Seixas.
Mãe de Raul, à revista Caros Amigos, em 1999 |
Domingo, Março 11, 2012
Segunda-feira, Fevereiro 06, 2012
Moraes Moreira e o problema da música do Carnaval
Domingo, Fevereiro 05, 2012
Sexta-feira, Janeiro 06, 2012
Compositores de 'Ai, Se Eu Te Pego' devem faturar R$ 3 milhões com hit, dizem especialistas
Axé Moi
“Quando o vídeo do Teló bateu 1 milhão de acessos em uma semana, sabia que ia ser hit nacional”, afirma Sharon. A certeza é baseada na sua experiência com a Dança do Quadrado, hit nacional da web e das festinhas, em 2008, também de sua autoria.
Antes de chegar a Feira de Santana, onde ganhou sua versão atual, “a pegada” era gritada por Sharon, em ritmo de funk, no palco da barraca de praia Axé Moi, pelo qual era responsável até pouco tempo. Ela criou o sistema de entretenimento que se firmou em Porto Seguro, com palco e programação de música, dança e brincadeiras.
Foi lá, em 2008, que Dyggs ouviu o refrão. “Já em Feira, me veio a ideia de usar para fazer um forró”, explica o compositor. Dito e feito, ele entrou em contato com Sharon, ela gostou da nova música, e eles firmaram a parceria.
Dono da casa de shows Kabana’s, em Feira, ele testou a música com a banda de forró que empresaria, a Meninos do Seu Zé. “Ai, Se Eu Te Pego já era sucesso em Feira e nas cidades da região desde 2009. Todo mundo tinha no toque do celular”, diz, entusiasmado, o orgulhoso ‘pai’.
Só em 2010 a música chegou à banda de forró soteropolitana Cangaia de Jegue. “Eles pediram para gravar a música, e a gente liberou”, conta Dyggs. Com a Cangaia, a música torna-se conhecida na capital, mas só pegou no Brasil - e no mundo - com Michel Teló.
Hebraico
“Mandei essa música pra muita gente, e recebi muita porta na cara. Mas o Teló entendeu bem o que a gente queria”, recorda Dyggs. O sertanejo pop ouviu o forró por acaso, em Cruz das Almas, quando uma moça da produção passou cantarolando. Procurou saber de quem era, e chegou à dupla.
“Teló é uma pessoa incrível. Entrou em contato, gravou a música, e está dando uma impulsionada violenta na nossa carreira”, elogia Sharon. O paranaense levou os dois e a Meninos do Seu Zé para São Paulo, no lançamento de sua versão sertaneja - e mais acelerada da música-, quando se conheceram pessoalmente.
Sucesso no Brasil, a escalada mundial começou com superestrelas do esporte, como o jogador de futebol português Cristiano Ronaldo, o tenista espanhol Rafael Nadal e o brasileiro Nenê e outros jogadores de basquete do Denver Nuggets, da NBA. Foi só “os caras” aparecerem fazendo a dancinha da música em comemorações, que Teló “pegou o mundo de jeito”.
A partir daí, foi um avalanche de versões e repercussões. No YouTube, já tem gente cantando em idiomas como o inglês, o polonês, o grego, o holandês e o hebraico. Matéria na conceituada revista americana Forbes e capa da Época... Vídeo de soldados israelenses dançando... E Bruno Medina, da Los Hermanos, polemizando, ao ironizar o sucesso...
R$ 1,5 milhão
Com todo o Verão brasileiro - e o mundo - pela frente, Ai, Se Eu Te Pego ainda deve dar muito pano pra manga. Mas o que todos querem saber agora é quanto os criadores baianos do sucesso - que detêm o controle total da música, decidindo sobre cada novo passo da canção - vão embolsar.
Segundo informações de profissionais do meio musical, só com a execução no Brasil, nos últimos seis meses, Antonio Dyggs e Sharon Acioly ganharam R$ 240 mil, cada. No fim de tudo, quando o “bicho pegar” mesmo, em escala planetária, será em torno de R$ 1,5 milhão, no bolso de cada um. “Digamos que a gente tá confortável”, responderam quando perguntados sobre cifras. Haja conforto!
Terça-feira, Janeiro 03, 2012
A HISTÓRIA POR TRÁS DO HIT AI SE EU TE PEGO DE MICHEL TELÓ
Domingo, Dezembro 25, 2011
Venda de música brasileira em formato digital dobra com o lançamento da iTunes Store
Quarta-feira, Novembro 02, 2011
Edineia Macedo conquista o Brasil
Quarta-feira, Setembro 28, 2011
Edinéia Macedo Já é sucesso no Brasil
(Por Helder Maldonado)
Segunda-feira, Agosto 29, 2011
A pop star Edineia macedo deixa o Global Zeca Camargo sem palavras
A pergunta que uso para o título do post de hoje foi enviada pela Bruna, em um dos mais de cem comentários inspirados pelos clipes de Edinéia Macedo – meu tema da última quinta-feira.Entre tantas – e tão, hum, apaixonadas – opiniões que a nova “muzá” do pop brasileiro provocou neste espaço, achei que a da Bruna trazia a melhor colocação retórica. Afinal, depois de assistir aos vídeos de “Garota na chuva” (fui só eu que fiquei com esse refrão na cabeça durante todo o fim-de-semana?) e o tal “Clipe 6” (o da escola!), nada mais natural do que fazer uma exame de consciência e tentar tirar, de um questionamento pessoal, uma explicação para um comportamento universal.
Muita teoria para um assunto tão banal? Bem, espero que você já tenha acostumado com a teimosa tendência deste blog – que, daqui a um mês completa cinco anos – de tratar qualquer tópico da cultura pop com “seriedade”, seja Rebecca Black, Radiohead, “Magali dançando no Largo da Carioca”, “Se beber não case”, “A árvore da vida”, Adele, “Capitu”, novela das 9h, Paul Auster, Homem-aranha, Stephany, Beyoncé! Por isso, quando recebi os links dessas duas músicas de Edinéia, tremi!
Estaria eu à altura de discutir um novo fenômeno pop como esse – sem nenhum viés, sem nenhum preconceito, sem usar um juízo de valor? Não estava seguro, e por isso mesmo, pedi sua ajuda. Queria saber a sua reação a esse, digamos, produto cultural. Preferi colecionar opiniões variadas para só então me expressar. Sabia que poderia contar com os olhares astutos – e as opiniões afiadas – de quem passa por aqui. E não me decepcionei.
A Andrea, conterrânea baiana da cantora, mandou: “Aqui em Salvador Edinéia é sucesso, ainda mais depois de descobrirmos que ela é de Mutuípe/BA, terra de vários colegas de trabalho” (Andrea ainda me ofereceu uma entrevista exclusiva com Edinéia – que estou ainda ponderando). A Gabriela Lima, discorrendo sobre as possibilidades infinitas dessa ferramenta chamada internet colocou: “Diante destes vídeos fiquei pensando, será que as pessoas realmente não sabem como utilizá-la ou nós que ditamos que o uso com o qual algumas pessoas o fazem é errôneo?”. Numa provocação, digamos, mais “pessoal”, Adriano Mazzon evocou ninguém menos do que Ivete Sangalo e Cláudia Leitte para colocar Edinéia nas alturas: “Porém, uma diferença teria a autora de ‘Cantando (sic) na Chuva’ das duas musas do Axé: a primeira possui personalidade, o que é elementar num artista” – foi isso mesmo, né Adriano? O George Luiz também partiu para a provocação, mas de um outro ângulo: “Pessoas fazem arte ridícula para ser contemplada por outras pessoas ridículas. Esse é ponto ruim da net: é aberta a todos, até para quem não deveria. Ou será que isso também é um ponto bom?”. Ainda mais radical, Giovanni levanta a bandeira do preconceito, e argumenta: “O Brasil é, sem dúvida, um dos países com a maior diversidade cultural do planeta. Quem não consegue viver com isso, não deveria se dizer brasileiro”.
Teve gente que, como a Marina, reconheceu em Edinéia um talento a ser lapidado: “Eu já tinha visto este vídeo e hoje dei risada novamente, eu achei que a voz não é tão má, precisa de muita produção ali”. Com o que eu desconfio ser uma pitada de ironia, Tede Sampaio escreveu: “(Ela) pode até não seguir os padrões que a música dita de boa qualidade prega, mas ninguém pode discordar que essa garota tem força de vontade”. Mas muita gente também simplesmente reprovou a tentativa da baiana de buscar o estrelato, como a Cinthia Carvaho que, depois de concordar comigo com relação à capacidade incrível dela e de suas bailarinas não escorregarem na pedra lisa e molhada, declarou: “Eu senti vergonha por ela”. E a Dani, sem esperanças, pediu: “Edinéia agora é pop star. Oremos”…
Mas mais interessante do que julgar o que estamos vendo – no caso, alguns clipes toscos de músicas que esboçam uma possibilidade de fazer sucesso pop na voz de uma garota (na chuva!) que parece ter mais perseverança do que talento – a discussão que eu queria provocar era outra. E a Bruna, com sua pergunta, acertou em cheio: o que será que move as pessoas a tal?
De fato, o que mais me chama a atenção na “saga Edinéia” é a vontade de se exibir – de procurar uma platéia. Sei bem que, como pessoa pública, que apresenta um dos programas mais populares da televisão brasileira, eu talvez tenha um viés para entrar nessa discussão. Mas me dê um desconto e venha refletir comigo: do que as pessoas são capazes para sair do anonimato? Uma artista como Edinéia tem menos valor do que uma cantora superproduzida pela máquina do pop? E ainda, será que somos obrigados a engolir qualquer coisa, simplesmente porque todo mundo está clicando para ver aquilo? São perguntas delicadas de se responder, por isso, vamos tratar delas separadamente – começando pela última.
Como contei no post anterior, recebi os vídeos de Edinéia de uma amiga – e já na condição de “sucesso da internet”. Como confio bastante no gosto – e no humor e na inteligência – dessa amiga, não pensei duas vezes antes de clicar para ver do que se tratava. A primeira coisa que me chamou atenção em “Garota na chuva”, porém, não foi a própria música, mas o número de acessos que ela tinha no Youtube: quase 500 mil! De onde tinham saído todas aquelas pessoas para assistir ao “hit” de Edinéia? Certamente da internet. Mas por que tantos acessos assim? Bem, porque a internet, claro, vive disso. Aborrecidas no escritório onde trabalham ou solitárias de noite em casa na frente de um computador, as pessoas querem não exatamente se informar, mas se divertir – como qualquer piada, por mais sem graça que seja, tivesse o poder de fazê-las sentir mais vivas. E quem sai na frente nessas horas é sempre o riso mais fácil.
Nesse sentido, Edinéia é um prato cheio. A música é simples – o que logo cria uma identificação com quem ouve. As imagens são inesperadas – quem são aquelas pessoas dançando numa cachoeira (e por que elas não conseguem acertar a coreografia)? E todo o “non sense” do clipe te tira do sério e faz você não acreditar no que está vendo. E há ainda mais um elemento hilário: Edinéia é, pelo menos segundo os parâmetros vigentes de estética, uma beleza bem pouco convencional. E pior (ou melhor!): ela se acha bem mais deliciosa do que a maioria das pessoas que a estão assistindo (aliás, ponto para Edinéia, por sua auto-estima!). Inevitavelmente a primeira reação é o riso – e com ele vem a vontade de dividir essa risada com alguém. Pronto – aí está a receita de mais um sucesso viral!
É essa necessidade de detectar e dividir algo engraçado que nos torna presas fáceis de “mini fenômenos” como esse – e do “vlog do Fernando”, do menino dos mamilos, da dança do quadrado (e pode acrescentar o seu viral favorito aqui). Eu até poderia questionar aqui porque vídeos que não são “engraçadinhos” não têm o mesmo impacto (ou dia mesmo, quando falei dos 20 anos de “Nevermind” LINK PARA POST DE 18de08de11, recebi um monte de sugestões de boas músicas e novas bandas… por que eles não “viram virais”?), mas o que é mais interessante assinalar é que essas coisas são passageiras, porque nosso apetite de internauta não tolera a monotonia. Passada a “febre” de ver Edinéia, quem vai realmente se interessar pela carreira dela? (Ok, aceito o argumento de que “Menino sexy” , o primeiro clipe de Stefhany na sua fase “profissional”, tem quase um milhão e meio de cliques, mas qual refrão vem primeiro na sua cabeça, esse ou o de “Absoluta”?). A resposta para essa pergunta, claro, pouco importa – quando Edinéia estiver preparando seu próximo passo, nós certamente já vamos estar rindo de outra coisa…
Agora, que valor artístico tem Edinéia? Depende de quais critérios você quiser usar para julgar. Não sei se teria a ousadia do Adriano (citado acima) de cutucar fãs de artistas tão queridos – e competentes – como Ivete e “Claudinha”. Esse tipo de comparação, a meu ver, não leva a nada e despreza justamente o ponto de vista mais importante num debate como esse – o de avaliar cada artista pelo que ele é. O mais interessante aí é ver a dimensão que esse artista tem – e se ele está conseguindo falar com um grupo razoável de pessoas.
Para isso, faço uma pausa para divulgação – que, a princípio vai parecer gratuita, mas você já vai entender que não é. Anos atrás, fui a um curso sobre Fernando Pessoa, dado por um músico e poeta extremamente respeitado. As palestras eram brilhantes – e cumpriam a missão que uma boa aula sempre deve ter: a de nos fazer interessar por um assunto que talvez achássemos que conhecíamos. Não vou aqui descrever os pontos altos desse encontro, mas me lembrei dele apenas por uma passagem em que o nosso “mestre” fazia uma relação entre a poesia que uma menina adolescente escrevia em seu diário e os versos incomparavelmente mais universais de Pessoa. Será que o poema da menina não tinha valor algum? Claro que tinha, argumentava nosso palestrante – mas só para a garota que o escrevia. O que acontece com uma grande obra de arte (isto é, com um poema de Pessoa, por exemplo) é que aquilo tem um significado fortíssimo não só para o autor, mas também para uma legião de pessoas que se depara com ela. Assim, quando mais poderosa a arte, mais fundo ela vai falar com todos os seres humanos – já que arte é, ninguém duvida, uma das mais nobres características que nos torna justamente humanos.
Voltando a Edinéia, evidentemente ela está bem mais para o diário da menina do que para Fernando Pessoa. Mas, usando a mesma analogia, seu “diário” não está exatamente escondido numa gaveta trancada, sem ninguém poder ler. Pelo contrário, pelo menos meio milhão de pessoas já foi conferir o que Edinéia tem para dizer – para cantar, para dançar… E isso empresta uma certa relevância a ela. Sei que número de acessos na internet não é tudo (ainda não me conformo de “Friday” ter tido muito mais cliques que “Judas”!), mas o Youtube, se não é um bom parâmetro de qualidade, pelo menos serve para nos dar a dimensão de quantas pessoas ficaram interessadas em conferir aquele trabalho. “Garota na chuva” pode não traduzir a fina flor do seu gosto, cultivado no melhor da MPB – mas não precisa brigar com quem gosta de assisti-lo uma, duas, cem vezes.
E agora nos resta só mais uma pergunta para responder –aquela: “do que as pessoas são capazes para sair do anonimato?”. Bem, essa é fácil: são capazes de tudo – absolutamente tudo. Eu não tenho nenhuma dúvida disso, e quis justamente terminar o post de hoje com essa mensagem simples. Nós vivemos uma adorável era de “vale tudo” – e quem ainda tem problemas com isso, é melhor nem imaginar como vai ser o nosso futuro…
Aliás, por falar nele, eu vou hoje conferir uma nova – ou melhor, uma revisitada – versão sobre ele que essa semana chegou aos cinemas por aqui. Acho que você desconfia do que eu estou falando – mas se quiser ter certeza, volte aqui na quinta, pois quero justamente escrever sobre esse filme.
O refrão nosso de cada dia
“Vamos falar do norte”, Bando de Tangarás – vou pedir ajuda aos Tangarás para brincar mais um pouco com seus critérios para julgar o que é “bom” e o que é “ruim”. Eu sou fã dessa música, registrada aqui no que eu costumo brincar que é o “primeiro” videoclipe brasileiro. E que, por isso mesmo, é bem tosco. Mas será que você vai usar apenas o critério estético para julgar essa pérola? Se você sabe a história do Bando de Tangarás, está, claro, fora da brincadeira. Mas quem está sendo apresentado a ele pela primeira vez, ouça tudo primeiro, formule uma opinião – e só depois dá uma pesquisada na internet sobre quem são essas “figuras” (especialmente um certo tipo curioso, de chapéu largo e violão branco, no alto à esquerda…). De minha parte, fã que sou dos Tangarás, quero apenas deixar registrado que, mais sensacional que o próprio refrão (Quando nós saímos do Norte/ Foi pra no mundo mostrar / Como canta aqui nesta terra / Um bando de tangarás), é o “ai” que o cantor solta cada vez antes de cantá-lo…
Eu não sei o que dizer sobre isso
Eis que, depois de quase cinco anos de blog, eu me encontro sem palavras.
Ontem recebi um email de uma amiga “apresentando” essa “nova pop star”. A mensagem vinha apenas com dois links – um para a música “Garota na chuva”, e outro para algo enigmaticamente batizado de “Clipe 6” – se bem que eu arriscaria dizer que a música se chama “Adímirador” (com essa grafia mesmo), ou até, na sua versão mais longa “Eu vi sua foto dentro do diário”. E minha amiga me desafiava a escolher qual dos dois vídeos era o, hum, melhor.
Repito, eu fiquei sem palavras – e peço sua ajuda. Não para eleger o melhor – acho que fico com “Garota na chuva”, pelo inegável charme da troca de sílabas tônicas (musa vira “muzá”; folhas, “folhás”) e pelo esforço sobre-humano da cantora e das bailarinas de dançar uma elaborada coreografia em cima de uma pedra de cachoeira por onde a água não para de passar (até o Homem-aranha escorregaria ali – como elas conseguem?). Enfim, não quero abrir uma competição vazia entre um clipe ou outro, mas sim te desafiar a fazer algum comentário sobre… esse novo fenômeno da internet.
Farei minhas as suas palavras – prometo. Pois depois disso, sinto-me impotente, mudo, sem inspiração – ou, quem sabe, tão embriagado de inspiração que nem sei mais como me expressar. E não vale ligar no número que está junto com esses vídeos – que, numa rápida pesquisa, descobri que é de Mutuípe, interior da Bahia. Queria sua opinião sem interferências externas. Ajude esse formador de opinião a… formar uma opinião.
O refrão nosso de cada dia
“No me castigues”, Catherine – para não destoar dos vídeos que sugeri acima, aqui vai uma artista que habita este mesmo universo. Ao contrário de “Garota na chuva” e “Clipe 6”, eu acredito em cada palavra que Catherine canta. Isso é que é sofrer por amor! Em tempo: já tentei procurar a letra dessa música nos quatro cantos da internet – sem sucesso. Meu espanhol até que não é ruim, mas não está à altura da interpretação de Catherine. Será que você pode me ajudar nisso também?






